Ao longo de uma história ainda pouco conhecida e que remonta a milhares de anos no passado, Ilhabela tem sido o cenário de uma fascinante mistura de mistérios, lendas, escravos, indígenas, povos pré-coloniais, corsários, naufrágios, opulência e estagnação, sempre em meio a uma natureza exuberante que tem resistido à ação degradante do homem.
Graças à dificuldade de acesso à topografia acidentada e a fatores históricos, o município-arquipélago de Ilhabela apresenta um alto grau de preservação ambiental, apesar de estar localizado no centro do maior pólo econômico da América Latina, formado pelo eixo São Paulo e Rio de Janeiro, e mesmo tendo atravessado dois grandes ciclos econômicos centrados na agricultura extensiva e que perduraram por mais de 300 anos, quando proliferaram dezenas de engenhos de açúcar e de aguardente, serrarias e mais de duas centenas de fazendas de café.
Ilhabela é um município-arquipélago, ou seja, seu território é formado por várias ilhas. A maior e a principal delas chama-se Ilha de São Sebastião, com uma área de 337,5 Km2. Antes da chegada dos portugueses, essa ilha era chamada pelos indígenas de Maembipe ou Mayembipe, que na língua tupi significa “local de troca de mercadorias e resgate de prisioneiros”, ou seja, uma espécie de zona neutra utilizada pelas tribos para negociações; um costume tribal.
Os integrantes da primeira expedição exploradora enviada por Portugal à Terra de Santa Cruz chegaram a Maembipe (maior ilha marítima encontrada pelos exploradores até então), em 20 de janeiro de 1502, Dia de São Sebastião. A expedição, que batizou a ilha de Maembipe com o nome do santo do dia, era composta por três caravelas, e dela fez parte Américo Vespúcio, conhecido navegante italiano.
Um dos primeiros colonizadores da Ilha de São Sebastião foi o português Francisco de Escobar Ortiz, responsável pela construção do primeiro engenho de açúcar local.
Em 1805, a ilha de São Sebastião, que até então pertencia ao município de São Sebastião, foi elevada à condição de município pelo capitão-general Antônio José da Franca e Horta, quando recebeu o nome de Vila Bela da Princesa, em homenagem à filha mais velha do rei de Portugal, D. João VI. Os grandes artífices da emancipação foram o capitão Julião de Moura Negrão, o alferes José Garcia Veiga e o senhor de engenho Carlos Gomes Moreira.
Em 1940, por determinação do governo federal, Vila Bela mudou de nome e passou a chamar-se Formosa. Em 1945, o município incorporou outras ilhas, passando então a chamar-se Ilhabela, evidenciando, em todos os nomes que recebeu, a beleza natural que domina a cidade.
Hoje, o arquipélago de Ilhabela, com área total de 348 Km2, compreende as ilhas de São Sebastião, dos Búzios, da Vitória, mais as ilhotas dos Pescadores, da Sumítica, da Serraria, das Cabras, da Figueira, dos Castelhanos, da Lagoa e das Enchovas. A área urbana do município localiza-se integralmente na Ilha de São Sebastião, existindo 18 núcleos de comunidades caiçaras tradicionais espalhadas pelo arquipélago, em locais de difícil acesso.
Ilhabela completou 200 anos de Emancipação Político Administrativa, em 03 de setembro deste ano, entre os seus títulos de beleza infinita, detém o de “Cidade Campeã de Preservação da Mata Atlântica”, sendo seu território preservado em 92%.
(trecho retirado do livro “Conto, canto e encanto com a minha história.... Uma viagem pela história do arquipélago de Ilhabela” do autor: Nivaldo Simões
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