Notícia
em 11/08/2008



L?der do ranking nacional de MTB fala
da carreira, treinos e planos futuros

Nascido e criado na paradis?aca Ilhabela, no litoral norte de S?o Paulo, o piloto Edivando de Souza Cruz, ? o l?der do ranking da categoria cross country do mountain bike nacional. Campe?o brasileiro em 2004 e medalhista de prata no Pan de 2003, Edivando esbanja mod?stia e simplicidade.

Foi o gosto pelo surfe, que dividia com seu tio Juninho, campe?o brasileiro de downhill, que o levou ao mountain bike. Para chegar ?s ondas, Vando pedalava longas dist?ncias com a prancha debaixo do bra?o. ?Depois come?amos a curtir o pedal sem prancha e depois que participei da primeira prova, veio a grande descoberta: de que bicicleta ? mais que um lazer?.

Sobre Ilhabela, sua terra natal, ele ? bem direto: ?Para mim ? um privil?gio viver num local como esse. ? s? sair de casa que j? estou treinando...?

Confira a entrevista exclusiva na ?ntegra:

Bikemagazine: Como foram seus primeiros contatos com a bicicleta?

Edivando: Bom, comecei com um triciclo, bem cedo, mas lembro-me que com uns 10 anos j? andava bastante de bike de aro 20 e gostava de descer morro e pular rampas na ladeira de casa. Com 13 anos tive minha primeira mountain bike.

Bikemagazine: Que modelo era?

Edivando: Era uma Monark Ranger, de cinco marchas, amarela e preta, que a minha m?e ganhou num bingo da escola onde eu estudava.

Bikemagazine: Voc? ? sobrinho do famoso Juninho, piloto de downhill. Voc?s pedalavam juntos? Voc? sofreu influ?ncias dele para partir para a modalidade DH?

Edivando: N?o. Come?amos juntos no mountain bike, em 1993, e faz?amos de tudo: dual slalon, downhill, cross country, trip trail e up hill. J? v?amos nossas caracter?sticas, eu me destacava nas subidas e o Juninho nas descidas. O Juninho pedalava bem em todas as modalidades, mas em 1997 ele come?ou sua especializa??o no DH e eu continuei me dedicando no cross country e maratona. Foi um pouco dif?cil no come?o, pois sempre trein?vamos juntos e depois disso ficou mais complicado. Mas cada um seguiu o seu caminho e foi muito legal quando, em 2004, fomos campe?es brasileiros na categoria Elite, ele venceu o DH e eu o cross country e a maratona.

Bikemagazine: Como ? a rotina de seus treinamentos em uma t?pica semana dura de treinos?

Edivando: O treinamento se divide em algumas fases. Nos primeiros meses do ano ? hora de fazer base e pedalo tr?s dias de mountain bike e tr?s dias de speed. Treino entre 120 e 160 km de mountain bike e entre 220 e 300 Km de speed. Isso d? em torno de 16 a 18 horas de bike por semana. E ainda tem o tipo de treino. Alguns s?o com subidas, outros com trechos mais planos, dependendo do dia. Agora como ? ver?o e vou para a praia e relaxo um pouco no mar ou nas cachoeiras, e ?s vezes fa?o um trekking ou dou uma corridinha a p?.

Bikemagazine: Sei que voc? n?o tem treinador. Por qu?? Onde aprendeu a planilhar seus treinos?

Edivando: Sempre procuro aprender mais sobre treinamento e sempre fui curioso e observador, converso bastante com outros atletas. Isso ? algo que considero superimportante para um atleta: analisar sua pr?pria vida e local onde vive. H? 12 anos estou competindo e tenho in?meras trilhas e estradas, e eu sei o que ? bom e o que n?o ? , para onde devo ir e para onde n?o devo, dependendo da ?poca ou prova que vou competir. Existe outro ponto: cada atleta tem uma estrutura f?sica e se destaca em alguns pontos e pode ter defici?ncias em outros, por isso ? preciso trabalhar em cima das defici?ncias para se tornar um atleta completo.

Bikemagazine: Quando percebeu que a bicicleta poderia ser muito mais que um lazer para voc??

Edivando: Antes da fase das competi??es, o Juninho e eu ?amos surfar e lev?vamos a prancha debaixo do bra?o. Era bem sacrificante. Depois come?amos a curtir o pedal sem prancha e depois que participei da primeira prova, veio a grande descoberta: de que bicicleta ? mais que um lazer, e acabou se tornando parte da minha vida a ponto de eu ter que programar um ano inteiro em torno da bike.

Bikemagazine: Onde foi sua primeira vit?ria no MTB?

Edivando: Na minha primeira competi??o. Foi no ?II MTB Fazenda Disparada?, em Caraguatatuba, aqui no Litoral Norte de S?o Paulo.

Bikemagazine: Qual voc? considera a sua vit?ria mais importante?

Edivando: A medalha de prata dos Jogos Panamericanos de Santo Domingos, em 2003. Foi uma medalha in?dita para o Brasil e teve uma retorno muito grande para mim e para o nosso esporte.

Bikemagazine: Ap?s a sa?da da Caloi, voc? passou a pedalar uma bike full-suspension (Astro Nimble). Voc? estranhou a bike?

Edivando: Pedalar uma full foi uma grande experi?ncia para minha vida, pois eu achava que nunca competiria com uma bike dessas. ? diferente de uma hard tail, mas eu logo me acostumei com a bike. No ano passado competi mais da metade da provas com a Nimble e aprendi muito sobre o funcionamento e em que tipo de terreno ela se adapta melhor. Competi o Iron Biker com a full e confesso que foi uma da pedaladas mais gostosas que j? fiz, pois aprova ? muito dura e longa e com a full eu competi e me diverti nas descidas longas cheia de pedras e buracos. Em 2006 vou continuar competindo com bike full suspension, mas vou testar um outro modelo da Astro, com o sistema VPP (virtual piv? point). Tamb?m competirei de bike hard tail. Usar duas bikes se tornou comum no mundo das competi??es, l? fora temos observado isso.

Bikemagazine: Voc? representou o Brasil nos Jogos de Atenas e esteve ao lado dos maiores pilotos do mundo de MTB. O que falta para atletas brasileiros superarem a grande diferen?a de n?vel de performance em rela??o os estrangeiros como Absalon, Hermida, Paulissen etc?

Edivando: Bom vou colocar alguns pontos que pude observar correndo fora.
1? - Pedalar na Europa n?o ? como no Brasil, desde cedo voc? pode colocar seu filho numa escola de ciclismo e ter tranq?ilidade, pois a bike ? respeitada, as estradas s?o ?timas, as montanhas s?o altas e se o cara quer ir para um lugar e ficar a 3.500m de altitude, ele tem varias op??es e dinheiro n?o ? o problema.
2? - L? fora, quando se come?a a definir ser um atleta, ele j? vem numa forma??o certa. Ele logo ? encaminhado para um treinamento correto, e aqui no Brasil, ?s vezes, se pedala anos e anos e muitos n?o est?o treinando corretamente. ?s vezes esses atletas est?o seguindo a planilha de algu?m, mas n?o buscando algo que seja especifico para ele.
3? - Como o investimento ? maior, existem mais atletas de ponta com as mesmas condi??es, estrutura de equipe, m?dicos, nutri??o, e com isso se forma um grande pelot?o, onde muitos s?o favoritos e isso aumenta o ritmo de prova. J? corri l? fora e sei que largar com 150 europeus ? muito diferente do que largar com 15 brasileiros. Aqui se voc? aliviar o ritmo perde duas ou tr?s posi??es, l? perde-se umas 20 ou 30.

Conclus?o: para andar como eles ? s? estando l? junto com eles, em competi??es, em est?gios de treinamento... Por outro lado, j? temos muitas coisas aqui no Brasil, como nutricionistas, m?dicos e treinadores.

Bikemagazine: Voc? ? casado? Tem filhos?

Edivando: Sim, sou casado h? seis anos com a Roselaine, que ? irm? da esposa do Juninho, a Rosemeire. Temos um filho de dois anos que se chama Samuel.

Bikemagazine: Para 2006 quais s?o seus principais objetivos?

Edivando: ? um ano que pretendo treinar bastante e ganhar bastante condicionamento f?sico. Vou participar das provas do ranking brasileiro, tanto de cross country como de maratona, e procurar estar em melhor forma no Campeonato Brasileiro e Campeonato Panamericano, que ser? no segundo semestre. Um outro ponto que desejo trabalhar ? desenvolver o mountain bike em minha regi?o e no momento estou junto com o Erivan de Lima (Desafio da Mantiqueira) desenvolvendo um novo desafio para Ilhabela. Ser? uma grande prova onde, al?m de competir, ser? uma ?tima oportunidade para o turismo junto ? praia.

Bikemagazine: Qual o maior sonho que voc? tem dentro do mountain bike?

Edivando: Ver o esporte crescer e ser mais reconhecido e eu, como todo atleta, ? ter um titulo de n?vel mundial.

Bikemagazine: O fato de ter nascido e viver na Ilhabela ? um local de natureza bastante farta e com muitos locais para treinar ? favorece voc? e seus treinamentos?

Edivando: Creio que sim. Sinto-me muito bem aqui. Para mim ? um privilegio viver num local como este. ? s? sair de casa que j? estou treinando...

Bikemagazine: Qual a maior dificuldade que um atleta de mountain bike enfrenta hoje no Pa?s?

Edivando: O velho problema de patroc?nio, isso se repete h? anos. Quando comecei n?o foi f?cil, o Juninho e eu persistimos bastante e sa?amos de porta em porta para arrumar dinheiro para viajar. Muitos atletas que t?m potencial, ?s vezes desistem por falta de apoio, e muitos que t?m condi??es de apoiar ou patrocinar um atleta n?o ap?iam. ?s vezes querem somente que o atleta use sua camisa. Em geral, falta apoio em quase todos os esportes do Pa?s e isso n?o ? por falta de dinheiro, ? uma quest?o de falta de vis?o.

Bikemagazine: Que recado voc? deixa para quem inicia no mountain bike?

Edivando: Curta bastante! O mountain bike ? um esporte maravilhoso, principalmente para os amantes da natureza. Se for competir, v? com calma, pois os resultados s?o fruto do trabalho e lembre-se: para colher ? preciso plantar primeiro. E que Deus te aben?oe.

Edivando Cruz ? atleta da Astro/Vzan/Nossa Caixa/Michelin/Manitou com os apoios: SRAM/Answer/DT-Swiss/SDG.
Fonte: www.bikemagazine.com.br