Notícia
em 01/12/2008


O brasileiro Torben Grael e sua tripulação internacional a bordo do Ericsson 4 conseguiram a segunda vitória consecutiva ao cruzar a linha de chegada da segunda perna da Volvo Ocean Race em Cochin, na Índia.
       
       A perna de 4.450 milhas náuticas, que começou na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 15 de novembro durou para Grael e seus homens 14 dias, 11 horas, 32 minutos e 30 segundos. Adicionando os quatro pontos da equipe conseguidos na passagem do portão pontuação da segunda perna (a linha de longitude 58 graus leste, que a frota teve de passar em qualquer lugar do leste para o oeste a sul da latitude 20 graus sul), aos oito pontos obtidos com a vitória, levam a equipe à 26 pontos na classificação geral.
       
       Ao desembarcar em terra, em Cochin, capitão Torben Grael disse, estou muito feliz por estar aqui. A viagem teve muitas condições bastante difíceis, frio e umidade e os tediosos doldruns. Tivemos muitas avarias, mas chegamos ao portão em uma boa posição e, obviamente, estamos muito felizes de estar aqui em primeiro lugar após alguns dias duros e conseguir um bom resultado.
       
       O navegador britânico Jules Salter resaltou, é um alívio que estamos aqui. Ventos fracos podem revelar-se mais problemáticos do que fortes, e foi difícil tentar compreender o que estava acontecendo, mas no final tudo deu certo. Esta tarde foi muito de saber de onde a brisa terral estava vindo mas, felizmente, ela veio e é ótimo estar aqui.
       
       A primeira semana desta perna foi dramática, quando a flotilha saiu do sul da Cidade do Cabo para o Oceano Antártico para pegar os fortes ventos de oeste, o que iria impulsionar os barcos rapidamente no sentido do portão de pontuação. Muitos dos oito barcos da flotilha sofreram fortes danos e mares revoltos causados pela corrente das Agulhas, um curso de água conhecidamente ruim de se navegar.
       
       O Ericsson 4 teve finalmente sua justa parcela de quebras, velas estouradas, tempo perdido e má sorte. E por mais de uma semana, Grael estava feliz por conseguir apenas manter o Ericsson 4 lutando no meio do pelotão, muitas vezes por trás do veleiro-irmão, Ericsson 3 (Anders Lewander / SUE).
       
       Foi no oitavo dia, 22 de novembro, quando a frota já tinha passado pelo do portão e começou rumar ao norte, que o Ericsson 4 se mudou para a primeira posição. Havia ainda 2239 milhas para terminar, e o Ericsson 3 estava apenas três milhas atrás.
       
       No nono dia, o relatório das 13h GMT mostrou o Ericsson 4 sete milhas atrás Ericsson 3 novamente. Vinte e quatro horas mais tarde, Grael voltou a ter uma frágil liderança, mas a brisa à frente tinha abrandado e a frota estava começando a se comprimir.
       
       A grande jogada do Ericsson veio no 12º dia. O grupo de quatro barcos, Ericsson 4, Ericsson 3, Puma (Ken Read / EUA.) e Green Dragon (Ian Walker / GBR), que tinham escolhido a "raia do meio" para atravessar os dóldrums, quando o Ericsson 4 desapareceu, bem posicionado, atrás de uma nuvem de chuva. Eles reapareceram 48 mn à frente do Ericsson 3 e navegando com o dobro da velocidade dos outros barcos. O resto do grupo só poderia assistir, presos em uma calmaria quase total.
       
       O único desafio à liderança da Ericsson 4 a partir desse momento foi um ataque tardio pela Telefônica Azul (Bouwe Bekking / NED), que foi obrigado, por danos causados à sua bolina, a escolher a rota oeste na passagem dos doldruns. No dia 14, o Telefônica Azul tinha diminuído da diferença, mas havia confortáveis 111 milhas náuticas entre eles e o Ericsson 4. O time espanhol, que chegaria horas depois, em segundo lugar, finalmente mostrou sua força, e o Ericsson 4 garantiu uma segunda e importante vitória.
       
       
Fonte: Náutica On-Line